O mar, com seus recursos e mistérios, sempre me fascinou. A vastidão azul que cobre a maior parte do nosso planeta é fonte de vida, de alimento, de energia, de transporte e de inúmeras oportunidades. Para o Brasil, com sua extensa costa litorânea e a imensidão da Amazônia Azul, que se estende por 5,7 milhões de quilômetros quadrados, o mar representa um potencial ainda pouco explorado.
Como nação com forte dependência do mar, seja pela atividade pesqueira, pelo transporte de cargas e pessoas ou pela exploração de petróleo e gás, o Brasil tem uma oportunidade única de se tornar protagonista na Economia Azul. Para isso, contudo, é necessário um olhar estratégico e integrado para os espaços marinhos, que possibilitem o seu desenvolvimento sustentável e que, ao mesmo tempo, compatibilize os interesses dos diversos atores envolvidos.
O Planejamento Espacial Marinho (PEM) surge como uma ferramenta fundamental nesse processo. Ele permite organizar as atividades humanas no mar, tais como a pesca, o turismo, a exploração de petróleo e gás, a geração de energia renovável, a conservação da biodiversidade, entre outras, de forma a minimizar conflitos e garantir a saúde do oceano.
O PEM, porém, vai além de um simples mapa de usos e atividades. Ele representa uma mudança de mentalidade em relação ao mar, que exige a participação e o diálogo entre os diversos setores da sociedade, incluindo o governo, as empresas, as universidades, as comunidades costeiras e os cidadãos em geral.
A mentalidade marítima, ou seja, a compreensão da importância do mar para o desenvolvimento do país, é crucial para o sucesso do PEM. É necessário que a sociedade brasileira, como um todo, se aproprie do mar como um espaço estratégico, que deve ser explorado de forma sustentável e que exige cuidados para sua preservação.
A experiência internacional tem mostrado que o PEM é um importante instrumento para a promoção da Economia Azul. Países como Portugal, Reino Unido, Alemanha, entre outros, têm utilizado o PEM para organizar suas atividades marítimas, proteger seus ecossistemas e garantir o desenvolvimento sustentável de suas zonas costeiras e oceânicas.
O Brasil, com sua rica diversidade marinha e a imensidão da Amazônia Azul, tem um potencial único para o desenvolvimento da Economia Azul. A implementação do PEM é um passo fundamental nesse processo, pois permitirá que o país explore as riquezas do mar de forma organizada, sustentável e com benefícios para toda a sociedade.
A figura a seguir ilustra alguns dos diversos usos do mar brasileiro, que a implementação do PEM busca organizar de forma sustentável.






Contudo, o PEM não é uma tarefa fácil. Ele exige um esforço conjunto entre os diversos setores da sociedade, bem como um diálogo aberto e transparente, que permita a construção de um planejamento que atenda aos interesses de todos e que garanta a saúde do oceano.
A mentalidade marítima da sociedade brasileira é um elemento fundamental para o sucesso do PEM. É preciso que os cidadãos se apropriem do mar como um espaço estratégico, que deve ser explorado de forma sustentável e que exige cuidados para sua preservação.
A educação e a cultura oceânica são ferramentas importantes para a construção de uma mentalidade marítima. É preciso que as escolas, as universidades e os meios de comunicação abordem o mar como um tema estratégico, que desperte a curiosidade e o interesse dos jovens e que promova a conscientização sobre a importância de sua preservação.
O PEM é um desafio para o Brasil, mas também uma oportunidade única de o país se tornar protagonista na Economia Azul. Com a participação de toda a sociedade, o Brasil poderá construir um planejamento espacial marinho que promova o desenvolvimento sustentável da Amazônia Azul, com benefícios para as atuais e futuras gerações.
Reflexão Crítica
Observo que o PEM, apesar de ser um instrumento fundamental para a gestão dos espaços marinhos, ainda é pouco conhecido e compreendido pela sociedade brasileira. Acredito que a falta de uma cultura marítima mais enraizada na sociedade seja um dos principais desafios para a implementação do PEM no Brasil.
É preciso que haja um esforço conjunto entre o governo, as escolas, as universidades e os meios de comunicação para a construção de uma mentalidade marítima na sociedade brasileira. A educação e a cultura oceânica são ferramentas essenciais para que os cidadãos se apropriem do mar como um espaço estratégico e que exige cuidados para sua preservação.
Acredito que o PEM, se bem implementado, poderá ser um importante vetor de desenvolvimento sustentável para o Brasil, gerando renda e empregos, ao mesmo tempo que garante a saúde do oceano. No entanto, o sucesso do PEM dependerá da participação e do engajamento de toda a sociedade brasileira.
Nesse sentido, convido-os a se unirem a mim nesta causa!
Mentalidade Marítima – Unindo-nos pelo poder do mar!
Referências Bibliográficas:
- BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. (2004). Decreto nº 5.300, de 7 de dezembro de 2004.
- CARVALHO, A. B. (2018). Economia do Mar: Conceito, Valor e Importância para o Brasil.
- DIEGUES, A. C. (2004). O Brasil e o mar no século XXI: relatório aos tomadores de decisão do país.
- MTUR – Ministério do Turismo. (2018). Programa de Regionalização do Turismo.
- WORLD BANK. (2017). The Potential of the Blue Economy.