As comunidades costeiras brasileiras, um mosaico diverso de caiçaras, indígenas, quilombolas e outros grupos tradicionais, mantêm uma relação profunda com o mar, fonte de subsistência, identidade cultural e saberes ancestrais. No entanto, enfrentam desafios crescentes que ameaçam seus modos de vida e o próprio ambiente marinho.
A pesca industrial predatória, a poluição, o turismo desordenado e as mudanças climáticas, com seus eventos extremos, impõem uma série de dificuldades a essas comunidades. A pesca artesanal, base de sua economia, sofre com a escassez de recursos pesqueiros, enquanto a poluição compromete a saúde humana e a biodiversidade marinha. O turismo, quando não planejado de forma sustentável, gera impactos como a especulação imobiliária e a pressão excessiva sobre os recursos naturais. As mudanças climáticas, por sua vez, intensificam a erosão costeira e a ocorrência de eventos climáticos extremos, ameaçando moradias e meios de subsistência.

Diante dessa realidade desafiadora, as comunidades costeiras demonstram notável resiliência e capacidade de adaptação. Buscam alternativas para diversificar suas atividades econômicas, como o turismo de base comunitária, a produção de artesanato e o cultivo de algas marinhas. Organizam-se em associações e cooperativas para fortalecer sua representatividade e lutar por seus direitos.
Para que o Brasil desenvolva uma verdadeira mentalidade marítima, é essencial reconhecer e proteger as comunidades costeiras. Seus conhecimentos tradicionais sobre o mar, seus costumes e práticas sustentáveis são fundamentais para a conservação da biodiversidade marinha e para a construção de um futuro mais harmonioso entre o homem e o oceano. A inclusão dessas comunidades nos processos de tomada de decisão sobre o uso dos recursos marinhos é crucial, assim como o investimento em educação e capacitação e o fortalecimento de práticas econômicas sustentáveis, como a pesca artesanal e o turismo de base comunitária.
Valorizar e proteger as comunidades costeiras significa não apenas reconhecer seu papel como guardiãs do mar, mas também compreender que seus conhecimentos e práticas são essenciais para a construção de um futuro sustentável para o Brasil. Ao integrar o saber tradicional à gestão dos recursos marinhos, o país fortalece sua identidade marítima e promove a conservação do ambiente costeiro e marinho para as gerações futuras.
O desenvolvimento de tecnologias inovadoras também tem um papel fundamental na proteção do ambiente marinho e no apoio às comunidades costeiras. Pesquisas científicas podem auxiliar na identificação de soluções para os desafios enfrentados, como o desenvolvimento de sistemas de monitoramento da qualidade da água, o mapeamento de áreas de risco de desastres naturais e a criação de tecnologias sustentáveis para a pesca e a aquicultura. A colaboração entre universidades, centros de pesquisa e comunidades costeiras deve ser incentivada, visando a troca de conhecimentos e o desenvolvimento de projetos conjuntos.
A educação ambiental é outra ferramenta essencial para a construção de uma mentalidade marítima e para a proteção das comunidades costeiras. É preciso conscientizar as novas gerações sobre a importância da conservação do ambiente marinho, da valorização da cultura e dos conhecimentos tradicionais dessas comunidades. Projetos de educação ambiental devem ser desenvolvidos em conjunto com as comunidades, respeitando seus saberes e promovendo a participação ativa de crianças, jovens e adultos.
Deste modo, para ampliar a cultura marítima brasileira, é essencial investir na capacitação das comunidades costeiras, apoiando o empreendedorismo local e investindo em infraestrutura, para que desenvolvam atividades econômicas sustentáveis com autonomia.
Da mesma maneira, é crucial destacar que a resiliência dessas comunidades está intrinsecamente ligada à preservação do ambiente marinho e à valorização de seus conhecimentos tradicionais. A pesca artesanal sustentável, o turismo ecológico e comunitário, a educação ambiental e o fortalecimento das organizações sociais são caminhos promissores para a superação dos desafios enfrentados. No entanto, a garantia dos direitos territoriais, o acesso a políticas públicas eficazes e a participação ativa na tomada de decisões são elementos indispensáveis para a construção de um futuro justo e sustentável para as comunidades costeiras brasileiras.
A situação precária enfrentada por essas comunidades é um reflexo da profunda desigualdade social e da falta de reconhecimento da importância dos povos tradicionais na conservação da sociobiodiversidade marinha. É imperativo que o Estado brasileiro, em conjunto com a sociedade civil, promova ações efetivas para garantir a proteção dos direitos dessas populações, o acesso à justiça ambiental e a promoção de alternativas econômicas sustentáveis.
A invisibilização e a marginalização histórica desses grupos sociais contribuem para a perpetuação de um ciclo de vulnerabilidade e injustiça. A valorização dos saberes tradicionais, o respeito à cultura e a promoção da autonomia são pilares fundamentais para a construção de um futuro mais equitativo e sustentável para as comunidades costeiras do Brasil. Somente assim, será possível garantir a preservação dos modos de vida, a proteção do meio ambiente e a justiça social para esses guardiões ancestrais da costa brasileira.